• Novembro de 2017
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Indústria de massas vai reajustar preços de produtos em 8% para o varejo

Sem condições de absorver o aumento dos custos, por conta da alta do dólar e das tarifas de energia, a indústria de massas, biscoitos, pães e bolos vai reajustar os produtos em 8%, em média, para o varejo. A medida deve ter um efeito cascata que vai alcançar o bolso dos consumidores. Isso porque, também pressionado por despesas cada vez mais elevadas, o comércio deve repassar o aumento dos derivados de trigo para os preços das mercadorias nas prateleiras de supermercados e padarias.

Conforme o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), Cláudio Zanão, o Brasil produz menos da metade do trigo consumido no país e precisa importar grandes quantidades de farinha de países do Mercosul, sobretudo da Argentina, do Canadá e dos Estados Unidos. Com a alta do dólar, que se valorizou 24% este ano, o custo de produção disparou e está anulando as margens de lucro das empresas do setor.

“Nas massas, 70% do custo é de farinha. Nos biscoitos, o peso é de 40%, e nos pães e bolos, de 30%. Qualquer variação do preço do trigo tem impacto no setor”, destacou Zanão. Além da alta do dólar, a indústria alimentícia se ressente dos reajustes de energia elétrica e do efeito da alta do diesel no custo dos fretes para transporte das mercadorias. “Este ano, tudo está aumentando muito, até as embalagens estão mais caras”, disse o presidente da Abimapi.

O aumento dos derivados de trigo vai se somar a tantos outros que desagradam aos consumidores. “Subiu o preço de tudo”, lamentou a estudante Maria Laura Gonçalves, de 22 anos. Em casa, ela acredita que os maiores gastos são com a conta de luz e com a alimentação, e vem cortando alguns produtos. “O ovo de Páscoa vai ficar para o ano que vem”, disse. “Está tudo muito mais caro que no ano passado. Tem coisa que nem compensa mais comprar”, disse a tecnóloga de alimentos Cecília Fernandes, 24 anos. Para driblar os preços altos, além de gastar menos com supérfluos, ela evita usar o carro.

Penetração

Segundo Zenão, muitas empresas estavam segurando preços para evitar queda nas vendas. “Mas, se continuarem absorvendo o aumento de custos, elas podem quebrar”, assinalou. O que alivia um pouco o impacto do reajuste para os consumidores, na opinião do empresário, é que produtos como o macarrão ainda são muito baratos. Além disso, fazem parte da cesta básica e, por isso, têm uma tributação mais baixa. “O índice de penetração de massas e biscoitos no consumo da população é muito alto, de 99,6%. O que pode ocorrer é a troca de marcas mais caras por outras mais em conta, mas ninguém deixará de comer”, estimou.

Já no segmento de pães industrializados, a penetração é menor, de 70%, porque o produto compete diretamente com os pão francês. No caso dos bolos, o índice é ainda mais baixo, de 45%. A Abimapi tem 80 indústrias associadas, que representam 75% do setor. Os três mercados juntos — massas, biscoitos e pães e bolos industrializados — faturam por ano R$ 30 bilhões no país e são responsáveis pela produção anual de 3,3 milhões de toneladas de alimentos.

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