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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
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Unificação das máquinas eleva concorrência
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O fim da exclusividade dos cartões de crédito no início deste mês, com a unificação das maquininhas, começa a acirrar a concorrência entre as duas maiores empresas credenciadoras do setor (Cielo e Redecard) e abre um flanco também para que empresas de menor porte comecem a alçar voos mais altos.
Para este ano, a expectativa é de expansão de 16% nas movimentações das bandeiras de menor porte. Mais do que o embate corpo a corpo, as líderes do setor perceberam que é preciso estar presentes também em nichos pouco explorados. Por isso, essas credenciadoras têm anunciado que faz parte da estratégia de ampliar suas fatias no mercado, abocanhar bandeiras regionais.
Ao mesmo tempo em que as grandes empresas aumentam o volume de seus negócios, as pequenas ganham escala com a união. "O cenário é propício para as bandeiras regionais ganharem capilaridade por meio de acordos com credenciadoras", disse o presidente da Cielo e diretor da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Rômulo Dias.
Antes da unificação das maquininhas, a expectativa de maior penetração no mercado por parte das bandeiras locais era praticamente impossível, segundo ele.
As bandeiras regionais de cartão de crédito avaliam que o espaço está mais aberto para a atuação, mas sabem que não se trata de um avanço automático. "Mas o cenário de mudança é o primeiro passo", avaliou o diretor técnico do Sebrae Nacional, Carlos Alberto do Santos.
Dados da Consultoria Boanerges e Cia revelam que atualmente existem 77 bandeiras deste tipo no mercado e, no ano passado, esse conjunto de empresas foi responsável pela circulação de 36,3 milhões de cartões. O faturamento desse segmento foi de R$ 25,6 bilhões em 2009 e a expectativa da consultoria é que atinja R$ 29 bilhões neste ano.
O volume ainda é bastante inferior aos R$ 444 bilhões apurados pela Abecs em todo o mercado no passado, mas, em termos absolutos, não pode ser desprezado.
A concentração é algo que também marca o perfil dessas bandeiras menores. Apenas nesse segmento, 86% do mercado está nas mãos de 10 marcas: Hipercard (que surgiu com o grupo varejista Bompreço e que hoje é do grupo Itaú-Unibanco), Tricard (Grupo Martins), Sorocred (Sorocaba, interior de São Paulo), Cred-System (da Capital), Verde Card (dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul), Aura (Grupo Cetelem - BNP Paribas), Good Card (de Porto Alegre), Vale Card (de Minas Gerais), FortBrasil (de Fortaleza) e Unik (Rio Bravo Investimentos).
Desta lista, algumas já foram ‘fisgadas'' pelas gigantes do setor. Na semana passada, a Cielo anunciou acordo com a Sorocred e com a Aura. Hoje, a Redecard divulgou que fechou parceria com a Coopercred. Isso só para citar os casos mais recentes de trabalho conjunto.
Santos, do Sebrae, lembra que o principal interesse nos acordos por parte das bandeiras regionais é a redução dos custos trazidos com as parcerias. "Além disso, os cartões usados atualmente em um só local do País poderão ser moeda em outros também", disse.
Um exemplo é o do Cartão CredMalhas Shop, de Monte Sião, Minas Gerais. A bandeira regional surgiu para desenvolver o comércio local, forte na produção de roupas de frio. Com circulação restrita, o cartão financia as compras dos cooperados e dos funcionários das malharias filiadas, inicialmente, da cidade, mas que agora já atende também municípios vizinhos.
Uma característica comum dessas bandeiras regionais, de acordo com o diretor do Sebrae, é a de que o custo chega a ser até 70% menor do que o das grandes bandeiras e geralmente não contam com taxas de anuidade. No caso do CredMalhas, que surgiu em julho de 2006, há 1,7 mil associados, que fazem 24 mil transações por ano, em média.
O volume médio mensal de vendas é de R$ 80 mil a R$ 100 mil.
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Fonte: O Estado de São Paulo
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Tags: Setor de cartões
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