• Outubro de 2017
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Índice de Evolução Digital: Brasil ocupa apenas o 34° lugar

Existem atualmente 2,9 bilhões de usuários de internet no mundo. Embora esse número seja impressionante, as empresas e os governos ainda podem expandir sua influência inserindo os outros 60% da população mundial no mundo digital. Saber quais os países líderes em crescimento digital determinará o sucesso dessa iniciativa. Por esse motivo, a MasterCard e a Fletcher School da Tufts University uniram-se para criar o Índice de Evolução Digital, que avalia o e-readiness dos países, índice que retrata a situação da infraestrutura de tecnologias de informação e comunicação dos países, com base em quatro critérios: demanda, fornecimento, instituições e inovação.

Infelizmente, o Brasil não figura entre os países com maior e-readiness, mas segundo o Índice, evolui rapidamente junto com outros países emergentes. "É preciso considerar que a pesquisa foi feita em 2013, antes portanto dos investimentos em infraestrutura para a Copa do Mundo e do início de operação das redes 4G", explica Marcelo Tangioni, nosso vice-presidente de produtos da MasterCard Brasil e Cone Sul, lembrando que o próximo estudo, previsto para 2016, já deve inserir o país em um posição melhor.

Cingapura, Suécia e Hong Kong ocupam as três primeiras posições do ranking dos países mais bem preparados para absorver o próximo bilhão de usuários da internet. Reino Unido e Suíça completam a lista dos cinco primeiros, e os Estados Unidos vêm em seguida na sexta posição, entre os 50 países avaliados. China, Malásia e Tailândia foram classificadas como as três economias digitais mais dinâmicas.

O estudo analisou a evolução de cada um desses mercados entre 2008 e 2013 para compreender seus benchmarks, acompanhar seus progressos, e identificar áreas que podem ser aprimoradas. Esses países foram agrupados em quatro categorias, conforme suas tendências:

Break Out (Emergentes) – É a categoria em que o Brasil se enquadra. Inclui países com baixa pontuação de e-readiness atualmente, mas que estão evoluindo rapidamente. Além de Brasil e Chile, outros exemplos são: Índia, China, Vietnã e Filipinas. "Os BRICs estão aqui. E a Rússia é, deles, o país com o pior cenário. O cenário político puxa o país para baixo", afirma Tangioni. Caso mantenham suas taxas de evolução, esses países surgirão como economias digitais fortes, mas o Índice mostra que a próxima fase de crescimento pode ser mais difícil de alcançar.

Stall Out (Estagnados) – Apesar do histórico de forte crescimento, a economia desses países (boa parte da Europa Ocidental e norte da Europa, Austrália e Japão) encontra-se estagnada. Explorar mercados além das fronteiras nacionais e focar em inovação será fundamental para o crescimento contínuo desses países.

Stand Out (Destaque) – Países como Cingapura, Hong Kong, Estados Unidos e Nova Zelândia que têm e mantêm níveis altos de transações digitais, proporcionados por infraestrutura de ponta e consumidores domésticos sofisticados. Para permanecer nesta categoria, esses países devem manter uma trajetória de inovação acelerada.

Watch Out (Atenção) – Esses países enfrentam desafios, mas representam importantes oportunidades de investimentos por conta de sua população combinada de 2,5 bilhões de pessoas. Entre eles encontram-se Indonésia, Rússia, Nigéria, Egito e Quênia.

O Índice de Evolução Digital analisa as causas subjacentes fundamentais que governam a evolução dos país em uma economia digital: Condições de demanda, Condições de fornecimento, Ambiente Institucional e Inovação e Mudança. Para obter uma visão abrangente, foram analisados 83 indicadores. Combinados com as tecnologias em uso, as regulamentações governamentais, o comportamento dos consumidores e a existência de infraestrutura, eles ajudam os pesquisadores a perceber a natureza sistêmica de forças em jogo e explicar por que alguns países têm melhores condições do que outros pra desobstruir gargalos e obter a inovação.

"Agora nós temos uma imagem nítida dos países mais bem preparados para entrar no mundo digital", disse Ann Cairns, presidente de Mercados Internacionais da MasterCard. “Do ponto de vista do comércio, o verdadeiro engajamento digital só acontece quando se combinam os universos online e offline, e a confiança do usuário em relação ao serviço e o sistema de pagamentos. Para compreender como alcançar esse equilíbrio, o estudo identificou quatro fatores interdependentes, que definem a evolução digital de cada país: oferta, demanda, instituições e inovação. Esses quatro elementos servirão como pontos de avaliação estratégicos para empresas e governos."

Brasil entre o 10 com maiores chances de evolução

O Brasil vem evoluindo de forma rápida em relação à disponibilidade de infraestrutura e ao acesso a tecnologias, figurando entre os 10 com melhores condições de crescimento (quadro abaixo). "A expectativa é a de que, em 2017, toda a base instalada de celulares em uso no país seja de smartphones", comenta Tangioni. "O país acaba sendo beneficiado no índice por esses aspectos e também pela rápida adoção do e-commerce. O mercado eletrônico brasileiro é mais da metade do e-commerce de toda a América Latina. Mas não temos uma pontuação muita alta em relação ao ambiente institucional, que mede o quanto os governos estão engajados na evolução digital. Outros países estão mais avançados que o nosso nesse quesito", afirma o executivo.

O estudo aponta alguns números que mostram esse avanço do mercado brasileiro: o País responde por 59% da receita de comércio eletrônico da América Latina. O levantamento indica ainda que 97% dos brasileiros com acesso à internet estão em redes sociais, um percentual 27% maior que a média mundial. Além disso, espera-se que 85% da população se conecte à internet por meio dos celulares em 2015.

O Brasil precisa ampliar os investimentos em sua infraestrutura digital, para aumentar a velocidade do progresso nesta área. Isso passa por programas governamentais, como fez o Chile, país que possui a melhor avaliação entre todos da América Latina avaliados pelo estudo. O desempenho do Chile se deve principalmente às apostas do governo do país em estimular o setor por meio do programa de incentivo a empreendedores de alto impacto, o Start-up Chile. O programa ajudou a ampliar o número de empreendedores no país. Em 2010, apenas 10% dos participantes eram chilenos e hoje esse número chegou a 29%. Segundo o índice, o país também tem entre seus desafios aumentar os investimentos em infraestrutura, especialmente na área de telecomunicações.

Os ambientes político e regulatório, que promovam em vez de restringir a economia digital são vantagens competitivas: Chile, Malásia e Estônia estão colhendo os benefícios das ações de seus governos em relação ao seu futuro digital. Por outro lado, segundo os pesquisadores, a falta de instituições eficazes podem frustrar o potencial de crescimento do e-commerce em algumas das maiores economias emergentes, incluindo a China, Índia e Brasil.

Fonte: cio.com.br