• Novembro de 2017
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BA: Faturamento de empresas chega a triplicar no período de Verão

Céu azul, praticamente sem nuvens, e temperaturas cada vez mais altas são sinais de que o Verão promete. Diferente do nebuloso cenário econômico, os empresários envolvidos com produtos sazonais da estação mais quente do ano, como ventiladores, bebidas e sorvete, preveem tempo firme nos negócios até março.

Com os termômetros passando de 30°C em Salvador, as vendas chegam a triplicar, a exemplo do tradicional Picolé Capelinha. Mas, o sol brilha para todos. No Centro de Salvador tem ambulante de água mineral se recusando a parar uns minutinhos para dar entrevista. Com razão! Em uma manhã, ele vendeu 12 garrafas de água (por R$ 1 cada) em apenas cinco minutos, ou seja, uma unidade a cada 25 segundos.

O proprietário e fundador do Picolé Capelinha - fabricado há 43 anos no bairro de São Caetano -, Antônio Mota, conta que o seu pico de vendas está entre os meses de dezembro e janeiro, período que a cidade tem mais gente. “Nesta época do ano, que coincide com as férias e tem muito turista em Salvador, minha produção aumenta em 300% comparada com um mês fora do Verão”, diz ele, sem revelar a quantidade comercializada diariamente.

Entre as preferências dos adeptos deste sorvete no palito que custa R$ 1 e R$ 1,20 no próprio estabelecimento, os sabores de amendoim e coco se revezam nas primeiras posições no ranking de vendas, seguidos do de morango, doce de leite, tapioca e jaca.

Apesar do sucesso nas vendas, o empresário está preocupado com o aumento dos custos de produção, principalmente, da energia. “Meu maquinário é todo elétrico. E com energia ninguém ganha, a não ser quem é safado”, desabafa. Ele conta que, para economizar, está ligando o maquinário apenas quando necessário e, de preferência, fora dos horários de pico.

Além de água e sorvete, a maioria dos consumidores não dispensa os aparelhos de climatização nesta época do ano. Esse é o caso da aposentada Emília Costa, 65 anos, que passa o dia revezando entre o ventilador e o ar-condicionado. “No carro, só abro a janela para sair o bafo quente. Depois é ar-condicionado. Em casa, o ventilador dorme e acorda ligado. E, pra dormir, também ligo o ar”, declara ela, que, com medo de ser pega de surpresa, comprou um ventilador de mesa. “Prefiro pagar R$ 89 do que correr o risco de ter que assistir televisão no calor. O problema é só a conta de energia, que vai vir lá em cima”, justifica.

E é por conta de consumidores como dona Emília que o grupo Via Varejo, que administra as marcas Casas Bahia e Pontofrio, comercializou o previsto para janeiro apenas durante os 12 primeiros dias do mês. “O forte calor neste Verão tem provocado uma grande procura por itens como ventiladores, climatizadores e aparelhos de ar-condicionado”, diz o diretor regional de Operações Nordeste do grupo, Fábio Catarinozi.

Apesar do aumento da demanda, ele garante que a empresa está com estoques abastecidos para atender todas as lojas no país, cujas vendas se intensificam com os picos de temperatura. “A rapidez com que estes produtos são vendidos pode causar falta pontual de alguns modelos, mas trabalhamos para repor rapidamente”, ressalta.

Um vendedor da Ricardo Eletro da Avenida Sete de Setembro, que preferiu não se identificar, revela que nesta época do ano a quantidade de ventiladores comercializados por dia, por exemplo, pula de seis para 45, em média. No local, há opções para todos os gostos e bolsos, com preços variando entre R$ 59 e R$ 199, a depender do modelo.

Além dos produtos de climatização, a rede de supermercados Extra está apostando no setor de moda, com camisetas, biquínis, sungas, bermudas, shorts e tops, entre outros modelos. “Nossa estratégia é ser um parceiro do consumidor pra enfrentar o Verão, seja em casa, na praia, nos parques”, afirma a empresa, por meio da assessoria de comunicação.

No entanto, é na parte de climatização também que os negócios estão concentrados. No Brasil, o crescimento de ar-condicionado, por exemplo, foi de 60%. No Nordeste, as vendas de ventilador e ar-condicionado subiram 23,7%. Outro item que superou as vendas de 2014 foi o sorvete. “O produto cresceu 14% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que já havia registrado crescimento recorde nesta categoria”, diz a companhia.

BEBIDAS
Outro segmento que está rindo à toa é o de bebidas. Independentemente das preferências, quanto mais calor, mais a ingestão de líquido o corpo precisa. “O Verão é o melhor momento da companhia. Estudos comprovam que a temperatura impacta diretamente no consumo da cerveja, por exemplo”, revela o diretor de marketing do grupo Ambev, detentora das marcas Skol, Brahma, Guaraná Antarctica e Pepsi, entre outras.

De acordo com ele, é no primeiro trimestre do ano que a companhia mais fatura, sendo o Carnaval o pico de vendas. “Não é à toa que cerca de 40% do nosso volume de investimento é concentrado no Verão”, informa ele, acrescentando que a cerveja Skol é a campeã de vendas do grupo na estação mais quente do ano.

No grupo Brasil Kirin, que este ano estará com a marca Schin como patrocinadora oficial do Carnaval de Salvador no circuito Dodô (Barra-Ondina), o calor nas vendas nesta época do ano não é diferente.

Sem comentar o volume de vendas por uma questão estratégica, a empresa afirma que o Verão é, sem dúvida, uma das épocas mais importantes para o setor de bebidas. “No período de férias de Verão, as pessoas saem mais, estão mais com seus amigos em momentos de confraternização e, em razão das altas temperaturas, é natural o aumento da ingestão de líquidos para hidratar e refrescar”, justifica, por meio da sua assessoria de comunicação.

“Verão em Salvador é igual a sol, que é igual a praia, que é igual a cerveja”, brinca a turista mineira Camila Melo, 32 anos. A vendedora de água de coco Patrícia Evangelista, 37 anos, acorda ansiosa para olhar o tempo. “Essa é a melhor época do ano para mim. Quando chove, chego a ficar triste. E quanto mais quente, melhor”, avisa ela, que diariamente marca ponto em frente ao Bradesco das Mercês. Ela conta que no Verão chega a faturar o dobro em relação ao Inverno.

“Nos meses de chuva não faço mais do que R$ 50 por dia. Nessa época a média é R$ 100”, revela ela, que está comprando a unidade do coco no valor de R$ 1,40 e vendendo de R$ 3. E o mix de produtos vai muito além de bebidas para matar a sede dos consumidores. Tem gente faturando com protetor de sol para carro, sorvete, prendedores e até leque.

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