• Novembro de 2017
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Antes de mudar a Renner, José Galló precisou mudar a si mesmo

Um certo dia, olhei no espelho e me perguntei: você é um cara simples ou complexo? Percebi que era um cara complexo e que, por essa razão, não fazia sentido eu vender a ideia de que a Renner precisava ser uma empresa simples se eu, seu líder, não era". O ano era 2013 e o questionamento pessoal de José Galló refletia um dilema interno da Renner. A empresa precisava decidir se promovia mudanças estruturais para se posicionar dentro do lado "novo do varejo", o fast-fashion (mais rápido, eficiente e competitivo na operação). Era no fast-fashion em que estavam as referências do varejo de moda mundial: Zara, H&M e Uniqlo, deixando para "o velho varejo" as outrora estrelas do setor, as lojas de departamento. Para estar entre as novas, a Renner precisava deixar de operar de forma complexa. 

O que Galló revelou durante palestra no HSM Expo, em São Paulo, é que essa transformação estrutural só veio após ele mudar. Na companhia desde 1991, quando chegou como consultor para auxiliar a família fundadora, Galló chegou à presidência em 1998. E está lá desde então sobrevivendo a duas compras, à concorrência estrangeira e a profundas mudanças no varejo. Transformou uma baqueada empresa, com força apenas no sul do país, em uma "corporation" com valor de mercado de US$ 7,5 bilhões.

O trabalho teve um alto custo pessoal. Galló disse que, naquele ano de 2013, percebeu que levava uma vida muito ocupada, cheia de reuniões, compromissos e relatórios. Resolveu simplificar. "Peguei a agenda, chamei minha secretária (Eva) e começamos a eliminar coisas que eu não ia mais fazer. Disse a ela: me pergunte três vezes se eu vou fazer algo, que eliminamos", contou na palestra. "Com isso, vi que começou a sobrar  tempo na minha vida, que eu passei a aprender a concentrar esforços, a sair mais leve da Renner às 19h. No fim, comecei até a ser mais feliz". 

A mudança pessoal de Galló se refletiu na estruturação da Renner, que experimentou nos últimos anos uma transformação em processos, nas lojas e na matriz. Internamente, foram implementadas as chamadas "Leis da Simplicidade" para que, segundo o CEO, os funcionários "confiem mais uns nos outros e controlem menos", desburocratizando processos. Uma das leis é avaliar se os relatórios são "gerenciais" ou de "desconfiança". Outra recomendação antes de realizar qualquer tarefa é que o funcionário deve se questionar: "Mas isso é necessário mesmo?". Como Galló disse, "era preciso eliminar os perigos da simplicidade". 

Sem grandes saltos ou sustos – seguindo a austeridade que o executivo sempre defendeu –, a Renner quer fechar esse ano com 500 lojas (contando as marcas Camicado e YouCom) e dobrar de tamanho até 2021. O crescimento contínuo de vendas e uma trajetória crescente no preço das ações desde os anos 1990 levaram Galló ao primeiro lugar do ranking dos melhores CEOs de Época NEGÓCIOS de 2016.

Analisando sua trajetória na empresa, Galló defende que ter foco nem sempre é mirar no que precisa ser feito, mas

"saber o que você precisa deixar de fazer". "Quando não temos foco, tudo dispersa. E, com isso, você tira a intensidade daquela coisa que precisa fazer e, é claro, fará tudo com pouca eficiência, frustração e estresse". 
Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2017/11/antes-de-mudar-renner-jose-gallo-precisou-mudar-si-mesmo.html

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