• Novembro de 2017
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Os últimos serão os primeiros

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Não adianta chegar lá se não há qualidade no que se faz. Quem se prepara e age com honestidade costuma ter melhores resultados – mesmo sem subir no primeiro lugar do pódio.

O ditado “os últimos serão os primeiros” merece pelo menos duas interpretações. A primeira, mais moderna, é a de que aquele que resistir mais ficará até o final e, com isso, será merecedor do título de primeiro lugar. É a história de um torneio: quando valem a resistência e a perícia, vencem as pessoas dotadas de mais determinação e com melhor preparo. Estas vão até o fim em seus objetivos e costumam ser as primeiras nas disputas da vida.

A segunda interpretação é a da avaliação justa. Segundo o evangelho de São Mateus, Jesus teria dito aos falsos puritanos que até as meretrizes e os odiados coletores de impostos entrariam antes deles no reino dos céus.

Questionado sobre essa afirmação, teria o mestre explicado que estes eram considerados os últimos na escala da preferência divina, mas na verdade estavam sendo honestos com suas escolhas, ao contrário da maioria dos que se acha justa, mas, é hipócrita, pois sua aparência de homens corretos apenas esconde sua verdadeira identidade de aproveitadores e corruptos.

Em qualquer das duas interpretações o ensinamento aponta para a excelência. Na relação causa-efeito, ser o primeiro é a consequência. A busca da perfeição no fazer e da honestidade no ser são as causas. Ninguém será o primeiro apenas por desejar ser, mas, por se preparar para ser.

E, para essas pessoas, o mais importante não é receber o título de primeiro, pois o prazer mora mesmo é na percepção do valor do que se faz. E, sendo assim, é difícil não ser o primeiro, seja lá o que isso signifique. De fato, ser o primeiro é um conceito que é relativizado pelo valor que se atribui a ele e pela disposição que se tem para pagar o preço devido.

O último é o primeiro

Depois de muito ouvir sobre a inconstância dos fatos da vida moderna, um jovem universitário conversa com um professor que era conhecido por sua sabedoria e experiência de vida. Pergunta-lhe:

- Mestre, o que será mais importante para o sucesso de minha carreira: a velocidade ou a resistência?

Impassível, o professor lhe diz:

- Se você for veloz, vencerá às vezes; se for resistente, vencerá sempre.

Esse diálogo nos remete às duas modalidades principais de corrida: a prova dos 100 metros rasos, que costuma ser decidida em torno de dez segundos ­ um esporte de explosão muscular onde quem larga na frente costuma chegar primeiro ­, e a maratona, que não depende da velocidade inicial, e sim da resistência física e do controle emocional para administrar a energia orgânica.

Com frequência os fatos de nossa vida podem ser comparados a essas modalidades esportivas, mas, se olharmos de perto, veremos que na vida diária a resistência está ganhando da velocidade, como aconselhou o professor. Quem administra bem os seus esforços costuma colher melhores resultados, inclusive nas provas de velocidade, que dependem de treinos exaustivos, quando vale muito mais a resistência ao cansaço e ao desânimo.

Sobre esse tema, há mais uma verdade a ser analisada, a de que o valor de ser o primeiro é menor do que o valor do que se faz para chegar lá. O esforço é justificado pela vitória, e esta tem um sabor proporcional a esse mesmo esforço.

Entretanto, às vezes, o que se faz para vencer e ser o primeiro coloca a perder o prêmio e o sabor da vitória. Na vida real, políticos corrompidos, empresários corruptores, atletas anabolizados e artistas plagiadores estão entre os que fatalmente descobrirão que os fins não justificam os meios. Ser, na disputa, o primeiro a qualquer custo acaba por deslocar o campeão para o último lugar no placar da moralidade.


Texto escrito por Eugênio Mussak para a revista Vida Simples.

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