• Setembro de 2017
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SP: Ampliação de shopping de Praia Grande gera preocupação

As obras de expansão do Litoral Plaza Shopping tem causado preocupação para vizinhos do Parque Estadual Xixová-Japuí, que fica localizado entre as cidades de São Vicente e Praia Grande.

Os trabalhos são realizados em uma área de 115 mil m², pertencentes ao estabelecimento e que estão em área de amortecimento. Moradores denunciam que, após o início das obras animais selvagens, como tamanduá-mirim e bicho-preguiça, apareceram nas portas das casas, aparentando estarem assustados.

As denúncias foram enviadas a vereadora de Praia Grande Janaina Ballaris (PT). Membro da Comissão Especial de Vereadores (CEV) que trata de danos ambientais e invasões no município, ela convocou uma audiência pública para debater o tema.

A reunião, marcada para o dia 22 de junho, deve contar com a presença de do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo (GAEMA), do Ministério Público de Praia Grande, do Ibama, das secretarias do Meio ambiente, Habitação e Urbanismo, da Polícia Ambiental, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e do Greenpeace.

O gerente geral do Litoral Plaza Shopping, Martinho Polillo, explicou que os trabalhos são realizados em 58% do terreno. Trata-se de uma nova edificação, que será erguida em duas fases, sendo que a primeira deve estar operando em novembro de 2016.

Polillo garantiu que o empreendimento manteve a preocupação com o meio ambiente e que fará uma compensação ambiental devido a área desmatada para a expansão do shopping. “É uma preocupação nossa. Somos vizinhos do parque, mas estamos em uma área de Mata Atlântica. A pedido dos órgãos públicos nós tivemos que fazer uma compensação, de igual tamanho, em Boracéia (Bertioga). Essa área está sendo preservada lá”.

Sobre a questão da preservação da fauna, o gerente disse que o shopping cumpriu várias etapas e seguiu as orientações da Cetesb e do Ibama. ”Nós contratamos biólogos que, acompanhados da Polícia Ambiental, trouxeram gaiolas e antes de começar o desmate fizeram uma varredura. Houve a coleta do que se tinha aqui. O que foi coletado e está catalogado, cobras em sua maioria, foram deslocados para dentro do parque. Fizemos uma espécie de armadilha com areia, à noite, para seguir as pegadas dos animais e descobrir quais os supostos animais ali. O que foi detectado, nós fizemos a coleta”.

Em nota, a Cetesb explicou que foram emitidas a emitidas a Licença Prévia (LP) e a Licença de Instalação (LI) para a expansão do estabelecimento, em uma área de 11,4 hectares.

A companhia autorizou a supressão de vegetação de Transição Restinga-Encosta, referente a uma área de 4,8 hectares, com a devida compensação florestal. Isso corresponde a 67 árvores isoladas e de parte da vegetação nativa em estágio médio de regeneração.

Entre Cetesb e Litoral Plaza Shopping foram formados três termos de responsabilidade. O primeiro visa a preservação de 5,5 de hectares de área verde, em Praia Grande. O segundo exige o plantio compensatório de 1.675 mudas na área da gleba do empreendimento e o último é referente à compensação pela supressão de 50 % de vegetação nativa de floresta nativa em estagio médio de regeneração, com a averbação de 5,9 hectares como Reserva Legal de Compensação, em gleba de mesmo proprietário, situada no Município de Bertioga.

O biólogo Márcio Bezzi, que trabalha no Parque Estadual Xixová-Japuí, tem uma visão nada animadora sobre as obras de expansão do Litoral Plaza Shopping. Segundo ele, os trabalhos prejudicaram um tipo de vegetação que estava começando a se regenerar.

“Ali é tudo vegetação secundária. Era vegetação de Mata Atlântica. Teve uma perda muito grande porque era uma vegetação que estava em regeneração. Por exemplo, nós cortamos uma árvore e plantamos outra. Até ela crescer, fazendo uma estimativa rápida, demora cerca de 30 anos a 50 anos, dependendo do tamanho da árvore. Eles acabaram terminando com aquilo que estava se regenerando”.

Bezzi também recebeu reclamações de moradores vizinhos ao parque em relação a aparição de animais dentro das casas. “É o que chamamos de trampolim ecológico. Os bichos acabam se deslocando de uma região para outra. Ainda mais naquele trecho que é ao lado do parque. Tem vários animais. Já mandaram fotos de tamanduá-mirim e de bicho-preguiça. São animais que não tem para onde correr”.

Para o biólogo, a forma como os trabalhos também não foram os ideais. “Eles disseram que contrataram um biólogo e um veterinário para fazer afugentamento de fauna. Nós não pudemos entrar lá, mas vimos o trator derrubando tudo e eles colocando madeiras para afugentar a fauna. É triste. Bem bruto”.
Segundo Márcio, o parque não foi procurado por representantes do shopping ou Cetesb. De acordo com ele, foi realizado o RAP (Relatório Ambiental Preliminar). “O RAP passa por cima da gente. Não temos como opinar”.

O Parque Xixová-Japuí queria ter feito o resgate da fauna e da flora local antes do início da expansão, o que segundo Márcio Bezzi, não foi permitido. “Nós queríamos ter trazido os animais para dentro do parque. O que a gente pudesse de flora, seja semente ou árvores pequenas que tivessem germinado, nós levaríamos para o parque também. O parque poderia muito bem ter feito isso. Só que nós pudemos opinar. Eles fizeram da maneira legal juridicamente. Mas parando para pensar, como ser humano, eles fizeram da forma muito errada. Futuramente, quem todo mundo vai pagar. Mas, só mais para frente para as pessoas entenderem. Vai acontecer. Infelizmente, é só aguardar. Os problemas vão surgir. Não tenha dúvida”.

Para Bezzi, a alternativa para a população é realizar uma denúncia junto ao Ministério Público de São Paulo. “Nós auxiliamos os moradores e aconselhamos a entrarem com denúncia. Quanto mais gente reclamar, melhor”.

Floresta urbana

O biólogo alertou para a necessidade de se preservar a área verde ainda existente na região. “Nós temos uma floresta urbana. Aqui, só restou o nosso parque, o Jardim Botânico, em Santos e uma parte do Voturuá. Se olharmos uma imagem aérea, nós já devastamos tudo. A gente tem que preservar esse pouco para manter a nossa qualidade de vida. A gente não tá querendo salvar os bichos e árvores somente. Temos que entender que somos animais também. Fazemos parte disso. Esse é um resquício do que sobrou de uma floresta urbana e temos que preservar”.

Bezzi ainda ressaltou que o parque sofre pressão porque está entre duas cidade que estão em crescimento. “A galera quer construir de qualquer forma. Já tentaram construir condomínio aqui dentro, mas não tem como. Enquanto pudermos, vamos lutar. Era para ter um condomínio até com cassino aqui dentro, mas os moradores conseguiram um abaixo-assinado para fundar o parque”.