Dia dos Namorados: mais amor, porém mais caro Dia dos Namorados: mais amor, porém mais caro
Por Cláudio Felisoni de Ângelo


As vendas de varejo têm crescido em um ritmo muito intenso – em 2009, o consumo cresceu em relação ao exercício anterior (2008) nada menos que 15%. Em alguns segmentos, registram-se percentuais ainda maiores. Tal expansão se sustentou no aumento aproximado de 3% da massa real de salários, na queda da taxa de juros no financiamento do consumo e no alargamento dos prazos médios de pagamentos. Como referência, pode-se dizer que em dezembro de 2008 a taxa de juros era de 57,9% ao ano e passou para 42,7% no mesmo mês de 2009. O prazo médio, por sua vez, dilatou-se de 488 dias para 522 dias no mesmo período.
Os ganhos de renda real continuam. As taxas de juros se mantêm em um nível relativamente baixo, isto é, em comparação com a média histórica. Os prazos alongados continuam a incentivar as compras; situação que se observa mesmo diante da elevação da Selic.

Embora os ventos que sopram da Europa anunciem problemas, é de se esperar que o varejo continue sua trajetória ascendente em 2010. Desse modo, as datas especiais – como é o caso do Dia dos Namorados, 12 de junho – devem induzir a um crescimento ainda mais significativo. Na comparação do mês de junho de 2009 com maio do mesmo ano, observa-se que as vendas de junho situaram-se em um patamar 5% acima do mês anterior, ou seja, maio de 2009.

Considerando que a conjuntura mantém-se muito favorável, a despeito das turbulências causadas pelo desassossego proveniente do leste, pode-se estimar que as vendas devem crescer em junho de 2010, em relação a maio, pelo menos o percentual de 5% registrado no ano anterior. Os enamorados terão, entretanto, que ser mais generosos em suas demonstrações de carinho, porque  com a economia aquecida, os preços dos presentinhos e dos presentões estão mais altos. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) indicam que no primeiro quadrimestre de 2010 os preços subiram 2,65%.

Os preços mais elevados serão pagos principalmente na compra de flores, chocolates, perfumes, cosméticos, roupas e calçados. Não que os demais produtos não tenham sofrido acréscimos – subiram também, entretanto, algumas datas especiais dirigem o consumidor para produtos específicos. Se essas “lembrancinhas” forem programadas para serem dadas no restaurante de costume, é bom se preparar para outro desembolso um pouco maior: a conta certamente será mais salgada.


Cláudio Felisoni de Ângelo é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (PROVAR – FIA).
Tags: Dia dos namorados, Comércio varejista
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