• Setembro de 2017
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Na contramão da crise, mercado de luxo comemora expansão

O mercado de carros de luxo está na contramão da crise do setor automotivo no Brasil. Enquanto a maioria das montadoras dispensa funcionários ou concede férias coletivas para minimizar as perdas, Audi, BMW e Mercedes-Benz, que juntas dominam 70% do setor de alto padrão no País, comemoram os resultados. Entre janeiro e abril deste ano, elas venderam quase 14 mil veículos premium, um crescimento de 18,4% se comparado ao mesmo período de 2014, quando foram comercializadas 11.807 unidades.

O interessante é que os mesmos 18%, só que de queda, foi verificado nas vendas totais de automóveis e comerciais leves no período no Brasil. E olha que os preços desses carros são bem salgados. As três marcas vendem modelos com valores entre R$ 96 mil e R$ 959 mil e travam acirrada disputa no Brasil e no mundo pela liderança nas vendas.

A Audi foi a que mais cresceu (pouco mais de 35%), com 5.018 unidades vendidas. A Mercedes-Benz aparece logo atrás, com expansão de 31% e 4.238 unidades vendidas. Já a BMW, que instalou uma fábrica em Araquari, registrou queda de 3,5%, com 4.680 unidades vendidas. Ainda assim, a perda foi menor que a da média nacional.

Segundo um porta-voz da BMW, apesar dessa queda inicial, a marca trabalha com previsão de reverter o quadro e crescer dois dígitos até o fim do ano, algo próximo a 10%. Para isso, aposta nos lançamentos que fará nos próximos meses e na ampliação da produção na fábrica de Araquari. Suas concorrentes também abrirão fábricas locais em breve.

A Audi deve iniciar produção em São José dos Pinhais (PR) em setembro, nas instalações da Volkswagen, dona global da marca, enquanto a Mercedes inaugura, em fevereiro de 2016, a fábrica de Iracemápolis (SP).

Dimitris Psillakis, diretor geral Automóveis da Mercedes-Benz do Brasil, credita o desempenho no País à renovação dos modelos da marca, ao início das vendas do GLA (do segmento de utilitários compactos em que não atuava anteriormente) e ao aumento da rede de revendas, de 34 lojas em 2012 para 48 atualmente, uma delas em Joinville (DVA Automóveis). Até o fim do ano, o grupo terá 55 revendas.

O presidente da Audi, Jörg Hofmann, afirma que o crescimento da marca acima da média do mercado “mostra a escolha correta da nossa estratégia 360 graus para o Brasil, bem como a decisão de produzir os modelos A3 Sedan e Q3 no País.” Diz ainda que a expansão da rede de concessionárias, os investimentos em marketing e no pós-venda são ações que estão suportando o crescimento atual e continuarão suportando no longo prazo.

Para o diretor da consultoria ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, além de ser menos influenciada pela crise, as vendas de carros de luxo estão aquecidas em parte porque as importadoras ainda não repassaram a alta do dólar aos preços.

— Muitos clientes das marcas premium estão antecipando a troca de seus modelos com receio de um repasse integral da alta do dólar — afirma Garbossa.

No ano passado, o segmento de carros de luxo, incluindo modelos Land Rover, Volvo, Mini, Porsche, Jaguar e Lexus vendeu 55.841 unidades, 18% a mais que em 2013, que, por sua vez, cresceu 39% ante o ano anterior. Para este ano, a expectativa é de novo crescimento, mas as marcas evitam falar em porcentuais. A Mercedes aposta tanto no segmento que vai lançar na próxima semana o esportivo AMG GT, que será o modelo mais caro da linha: R$ 855 mil.