• Novembro de 2018
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Depressão e Hospitalidade

Depressão e Hospitalidade

Pesquisas apontam o aumento crescente dos casos de depressão na população das grandes cidades. A Organização Mundial da Saúde prevê que a Depressão será a principal doença incapacitante até 2020. No Brasil, temos 17 milhões de pessoas com a doença. Os hotéis podem e devem, investir no aprimoramento das habilidades de empatia e conexão afetiva, para detectar indícios de que hóspedes (e colaboradores!) talvez estejam precisando de ajuda. Esse panorama se configura cada vez mais próximo e frequente.

 Vou narrar um episódio com final feliz que poderia ter sido uma tragédia:

 Era final de semana, o hotel era urbano (portanto quase vazio), o gerente de plantão estava fora, mas ao alcance pelo telefone e era tarde da noite. Estavam na recepção um atendente e um mensageiro. Chegou sem reserva um hóspede frequente sozinho e estando transtornado, foi acomodado rapidamente em um andar alto, segundo sua solicitação.

 Minutos após ter subido, um parente seu ligou, informando o desavisado atendente de que o rapaz tivera uma discussão intensa em família e que estava deprimido, revelando que pretendia suicidar-se. A situação era grave e exigia ação imediata. A atendente relatou que a solução que encontrou foi ligar para o rapaz e dizer que teriam de mudá-lo de apartamento pois teria havido um curto-circuito no andar que ocupava. O mensageiro desligou a chave geral do andar e lá foram, para ajudá-lo a se mudar. Ele foi encaminhado para o primeiro andar, em um apartamento com um grande toldo embaixo, inibindo o seu pretenso intuito, a tempo de a família chegar.

 Assim como há procedimentos para casos de emergência como incêndios e primeiros socorros, talvez seja uma boa ideia discutir linhas de ação para casos como o relatado acima e como lidar com hóspedes e colaboradores que demonstrem sinais de depressão.

Recentemente a pesquisadora da USP Juliana Fiquer publicou um estudo bastante preciso dos gestos e sinais que pessoas deprimidas expressam (vide http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/03/1749401-gestos-e-postura-ajudam-a-detectar-e-avaliar-depressao.shtml). Segundo ela, o corpo revela sinais claros do quadro depressivo e de sua gravidade, que somente um especialista pode avaliar, porém o leigo pode identificar e levar em consideração ao abordar outra pessoa.

Ampliando o assunto, você sabe dizer quantas pessoas em seu quadro foram diagnosticadas com depressão? Já conversou com os líderes sobre a mudança de comportamento de alguém na equipe? Os líderes em sua empresa acompanham o estado de ânimo dos colaboradores que perderam um ente querido recentemente, ou estão se separando de seus cônjuges? Queda da produtividade, embotamento, falta de entusiasmo, negativismo e isolamento social podem ser indícios da instalação de um quadro depressivo. Às vezes cobramos do colaborador um desempenho que ele não consegue entregar devido à um desequilíbrio emocional e químico. Pense nisso!

Pathi Hernandez
https://www.linkedin.com/in/pathi-hernandez-4410371/ 

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