• Novembro de 2017
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Recursos Humanos

Habilidades sociais: contribuições da psicologia para o varejo

Por Lucia Borges 

Daniel Goleman, psicólogo e estudioso das ciências do cérebro, diz que há uma maneira diferente de ser inteligente, além de intelectual, através da inteligência emocional. Dentre as competências da inteligência emocional, destacam-se as habilidades sociais, definidas  como a capacidade de lidar bem com as emoções nos relacionamentos e ler com precisão as situações sociais, interagir com facilidade e utilizar essas habilidades para liderar, negociar e solucionar divergências.

Num mundo unido pelas redes sociais e movido por uma centena de atividades no ambiente de trabalho, buscamos respostas para tudo o que queremos no mundo virtual e individualizado. Entretanto, quando estamos diante de um cliente difícil, compartilhamos de emoções que estão no âmbito pessoal e interpessoal e que exige equilíbrio emocional, hoje uma das habilidades mais procuradas no mundo corporativo. Trata-se de uma espécie de jogo de cintura ou traquejo social, que dá ao habilidoso social a capacidade de manter seu desempenho quando as coisas não estão bem.

As habilidades sociais, como objeto de estudo no mundo corporativo, podem ser desenvolvidas, a exemplo do que já acontece em terapias que buscam incrementar a efetividade interpessoal em serviços de saúde. Os THS – treinamento em habilidades sociais – são técnicas que buscam melhorar a qualidade de vida ensinando estratégias para serem aplicadas em diversas situações sociais.

Dentre os elementos que compõem o THS, destacamos "fazer e receber elogios". Parece simples, não? Não! Não é simples. 

Quantos elogios você já fez hoje? Quantos elogios recebeu? É provável que nem se dê conta.

Fazer elogios é um comportamento que pode ser modificado por meio de treinamentos desde que você compreenda sua função e o faça em momentos apropriados. Os elogios são reforçadores sociais que tornam o convívio em sociedade agradável, além de desencadear outros comportamentos positivos: fazer a coisa certa, por exemplo.

Em geral, prestamos atenção quando as pessoas agem diferente do que imaginamos e passamos a criticá-las. Portanto, é incomum nos darmos conta do que nos agrada, passando a achar tudo muito natural. Você já ouviu: “não fez mais do que sua obrigação”. 

Assim como na infância, estes gestos nos desmotivam, na idade adulta, se queremos que determinados comportamentos se repitam, temos que chamar atenção para cada fato importante e realizado pelo outro. Quando fazemos elogios aos demais, é menos provável que se sintam esquecidos ou não-apreciados, afirma o psicólogo espanhol Vicente Caballo.

Mas é preciso cuidado! Um elogio sem motivo aparente pode acarretar em respostas negativas. Portanto, devemos começar gradativamente e sempre ressaltando o que de fato percebemos como comportamento adequado. 

Como todo treinamento, devemos começar devagar. Algumas dicas são importantes. Seja específico no elogio: “sua abordagem foi muito boa com o cliente”, ao invés de dizer apenas “parabéns”. Se receber um elogio, diga apenas obrigado, pois ao retribuir com outro elogio, pode soar como obrigação. Para começar, busque elogiar alguém de quem recebeu um atendimento. Será um ótimo exercício.

No ambiente de trabalho, o desenvolvimento profissional prepara o funcionário para seu futuro na empresa, além de colaborar para sua educação profissional. No caso das habilidades sociais, contribui para a competência social, desenvolvendo o espírito inovador e criativo de alguém que reclama menos e produz mais, mas com qualidade de vida e amadurecimento emocional. 

Lucia Borges é psicóloga e desenvolve estudos em habilidades sociais no varejo.

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