• Outubro de 2017
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Marcas Próprias: um mundo de oportunidades, com crise e tudo

Por Neide Montesano

Imagine a seguinte história: Dona Maria é cliente antiga de uma padaria, pois somente lá ela encontra aquele bolo de milho com gostinho caseiro que tanto gosta. Como consumidora fiel e admiradora da marca, sempre recomenda aquela padaria aos conhecidos e ainda compra vários outros produtos no estabelecimento.

E se na mesma história, no lugar do bolo preferido da Dona Maria colocássemos os produtos de Marcas Próprias, comercializados exclusivamente nas redes que detêm o controle daquela marca? É simples: quando o consumidor se identifica, enxerga valor, qualidade e ainda encontra preços atrativos, ele volta sempre, e assim se torna fiel à marca e consequentemente à rede.  Marca Própria é vantagem competitiva, e por isso é necessário um esforço conjunto entre o varejo, detentor da marca e responsável por entregar os produtos diretamente nas mãos do consumidor, e a indústria, que o fabrica. Ambos devem trabalhar em parceria e compartilhar do mesmo objetivo, que é o de desenvolver a Marca Própria, fazê-la crescer, aparecer e principalmente vender! Com a estagnação da economia e a crise econômica que promete se agravar no próximo ano, investir em Marcas Próprias é uma aposta que renderá bons frutos.

E para isso, não tem segredo: estudar e entender o mercado, realizar planejamento e execução assertivos, prover investimentos na melhoria de gestão e processos, desde o desenvolvimento do produto, embalagem, logística, até chegar ao ponto de venda.

E falando em ponto de venda, por não ter investimento de mídia – e esse é um dos motivos que fazem algumas Marcas Próprias serem cerca de 20% mais baratas em relação aos produtos tradicionais da indústria – é necessário criar maneiras que façam com que os consumidores conheçam esses produtos. E uma forma simples de fazer isso é promover a experimentação do produto Marca Própria no ponto de venda, uma das ações mais eficazes para aproximar o produto do consumidor e gerar vendas. 

No Brasil, a Marca Própria vem crescendo ano a ano: somente de 2013 para 2014, o setor registrou 11% de aumento e a expectativa é de fechar 2015 com motivos para comemorar, com mais crescimento. Mas é sabido que ainda temos muito que desbravar neste mercado! Atualmente, apenas 5% do total comercializado no Brasil, de acordo com a Nielsen, é de Marcas Próprias. Comparando com os EUA, onde esse mercado detém 17,4% e a campeã Suíça, com respeitáveis 46%, temos a dimensão do tamanho da oportunidade de quem resolver investir e se desenvolver nesse segmento – e mesmo com a crise.

Neide Montesano é presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (ABMAPRO), entidade representante do setor no país.