• Novembro de 2017
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Music Branding, você já ouviu falar nisso?

Por Guto Guerra


Sound affects: esse é o ponto. O som causa efeito, o som causa diferença, o som atinge emocionalmente, o som influencia. Você já parou para refletir o quanto as pessoas, no mundo moderno, estão expostas todos os dias ao poder do som? E é exatamente confiando nessa capacidade que o som possui de influenciar pessoas que cada vez mais empresas, marcas e instituições apostam no Music Branding como forma de atingir seus consumidores. Através do Music Branding, hoje visto como tendência mundial, torna-se possível associar sons e músicas (e artistas!) a uma determinada marca, conferindo identidade sonora única e individualizando-a perante o público consumidor.

É incrível pensar o quão extraordinária é nossa capacidade de ouvir. O ser humano está exposto ao som por toda sua vida, desde o instante do nascimento, 24 horas por dia, sem parar. Nosso aparelho auditivo continua trabalhando mesmo quando estamos dormindo – nossos ouvidos não possuem uma “tampa”. Não se pode simplesmente “desligar” a audição da mesma maneira como se fecha os olhos ou se tampa o nariz. E mesmo quando dormindo, nossa audição continua em estado de vigilância, tanto que não perdemos o som do alarme do despertador quando ele toca.

Contudo, parece que ainda subestimamos todo esse potencial que o som irradia. Veja só: a maior parte dos objetos presentes no cenário de uma cidade moderna foi pensado e criado cuidadosamente por alguém especializado para isso – tamanhos, formas, texturas, cores são resultado direto de escolhas conscientes de arquitetos, designers e projetistas. Mas com o som é diferente: a maior parte das coisas que ouvimos durante o dia não foi criada por ninguém, sendo apenas um som “acidental”, gerado por objetos que não foram pensados tendo em conta o tipo de som que produziriam, e sim a função que eles devem exercer. E o pior disso tudo é que esse som, além de acidental, muitas vezes é desagradável, inapropriado e contraproducente. Se considerarmos esse cenário no dia a dia das pessoas, estaremos diante de lojas, escritórios, restaurantes, indústrias, vias públicas, meios de transporte e até mesmo residências totalmente imersos em um caos sonoro – potente, porém, sub-utilizado. Imagine se a sua companhia telefônica colocasse você esperando na linha ouvindo a música nova da sua banda preferida, ao invés do tecladinho clássico tocando a pior versão do mundo de uma música de Beethoven!

Diante desse quadro, o Music Branding surge como solução capaz de controlar o potencial que o som (e a música!) possuem, canalizando-os para obter determinadas reações dos consumidores. A música, em especial, tem o poder de colocar em sincronismo as interações humanas. Quando duas pessoas conversam, é natural que o tom de voz delas migre para um ponto comum entre ambas. A música gera esse mesmo efeito, influenciando e sincronizando as ações das pessoas expostas às ondas sonoras. Assim sendo, a música certa pode fazer com que uma pessoa coma mais rápido ou mais devagar, que gaste mais ou menos dinheiro em suas compras, que saia ou permaneça mais tempo em determinado ambiente.

Todos os anos as empresas gastam milhões e milhões de dólares na maneira em que suas marcas são visualizadas pelos consumidores. Ultimamente, têm gasto também na maneira como elas soam. Por isso, a aproximação cada vez maior entre empresas e artistas, marcas e músicas. Se ainda existe um campo inexplorado no marketing, esse campo é o marketing sonoro. É como se fosse a última fronteira a ser conhecida, desbravada com o esforço conjunto de músicos, empresários e profissionais do Music Branding.


Guto Guerra é diretor de criação da GOMUS (www.gomus.com.br), empresa especializada na criação de Music Branding e outras experiências sonoras autênticas.

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