• Novembro de 2017
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O futuro do dinheiro na América Latina: etapas e desafios

*Por Matias Fainbrum, diretor geral da Ingenico ePayments na América Latina 

Vivemos em uma época de crescente liberdade e acessibilidade global, com uma demanda de consumo que impulsiona a inovação tecnológica e provoca rápidas mudanças de estilo de vida no mundo todo.

Os cálculos da indústria indicam que as taxas de crescimento dos pagamentos não monetários em países desenvolvidos compensarão o crescimento menos acelerado das economias emergentes. Da mesma forma, o valor dos pagamentos não monetários de todo o mundo terá um aumento médio de 6% ao ano durante os próximos quatro anos.

Então, o que isso significa para os varejistas online? Bom, estima-se que a soma de US$ 900 bilhões estará disponível durante a próxima década. As empresas que puderem migrar do pagamento em espécie para o pagamento eletrônico, oferecer serviços inovadores de valor agregado e atender de forma efetiva os clientes “desbancarizados” e “sub-bancarizados” poderão beneficiar-se dessas oportunidades.

A situação da América Latina

Sem dúvida, a América Latina é uma combinação de comportamentos e preferências de pagamento com forte ênfase em compradores e métodos de pagamento locais. Em 2015, as vendas online do varejo no Brasil geraram um ingresso de quase US$ 20 bilhões, ou seja, o dobro do faturamento conjunto do México e da Argentina. Com uma população crescente de 202 milhões de pessoas, das quais 62% possuem menos de 30 anos de idade, as oportunidades deste mercado parecem estar crescendo.

Mobile: uma ferramenta de inclusão

O uso intensivo de celulares também gera oportunidades para o comércio móvel. As instituições financeiras tomaram a iniciativa promovendo a digitalização dos pagamentos na América Latina por meio de plataformas móveis, esquemas de pagamento locais e investimentos mirando aumentar a penetração de pontos de venda.

Da mesma forma, vários governos regionais promovem de forma ativa os pagamentos eletrônicos oferecendo incentivos tributários e modificando os marcos regulatórios. Essas iniciativas são importantes em uma região onde 250 milhões de adultos (quase dois terços da população) não utilizam serviços financeiros formais tais como uma conta bancária.

Os números por si só não dão um panorama completo do setor de e-commerce da América Latina. A realidade é que o pagamento em espécie e com cartões de crédito continuam sendo utilizados com muita frequência, apesar do fato de dois terços da população não terem conta em banco e muito menos utilizar métodos de pagamento eletrônico. O Brasil é a exceção à adaptação do comércio eletrônico na região, especialmente no que diz respeito ao m-commerce. Porém, a desaceleração econômica de toda a região, incluindo os altos níveis de inflação que afetam seriamente a Venezuela e Argentina, mostra que ainda há muito por fazer antes que se possa explorar todo o potencial do e-commerce na região.

A boa notícia é que os governos latinoamericanos estão investindo no desenvolvimento de tecnologias não monetárias e se afastando da cara infraestrutura associada a bancos adquirentes e métodos de pagamentos tradicionais. Por agora, o mercado brasileiro é o que está mais equipado para o comércio eletrônico. Antes de se aventurar na América Latina, as empresas online devem avaliar os custos e riscos relacionados aos diferentes sistemas bancários e métodos de pagamento em toda a região, já que continua sendo um labirinto de tecnologia e infraestrutura que exige conhecimento e visão local. Contudo, para as empresas que decidirem apostar na região, há um mar de oportunidades a se desbravar.

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