• Novembro de 2017
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Gestão

O Líder, a efetividade, a eficiência e a eficácia

Por Eduardo Varela

Pense na última decisão que você precisou tomar. Ela foi eficaz, eficiente ou teve efetividade? Se foi uma decisão impulsiva ou reativa, há grandes possibilidades de ter sido eficaz. Se houve algum tempo para um planejamento mínimo, parabéns, talvez tenha sido uma ação eficiente.

Vamos revisar os principais conceitos e oferecer algumas pistas de como você pode classificar suas últimas decisões. A Eficiência é uma dimensão analógica e portanto, é possível encontrarmos Líderes com evidências de apresentar mais ou menos eficiência nas suas tarefas. 

Eficiência é quando uma tarefa é realizada da melhor maneira possível, ou seja, com menos desperdício de recursos, no menor tempo possível ou com características de maior qualidade, isto é, com ênfase nos meios e recursos utilizados e que podem ser medidos, daí o seu teor analógico.

A Eficácia é uma dimensão binária, isto é, ou ela pode ser evidenciada ou não. É o aspecto de acertar ou não um alvo, atingir ou não um objetivo ou meta.   A Eficácia tem ênfase nos próprios resultados e nos objetivos a serem alcançados, com a exploração máxima do potencial dos processos e otimização das tarefas com a agilização de recursos para alcançar o resultado esperado.

A Efetividade é uma dimensão relativa. É uma dimensão que vai além de fazer uma tarefa da melhor maneira possível e com menor desperdício de recursos (eficiência) ou de atingir um resultado esperado com exploração do potencial e otimização das tarefas (eficácia).  

A Efetividade é relativa no conceito de explorar a satisfação de uma necessidade com equilíbrio. A efetividade vai além da capacidade de fazer uma coisa (eficácia) da melhor maneira possível (eficiência).  Digamos que é um despertador que me acorda no horário correto, tem um bom custo/benefício (eficaz), que é simples de programar, que tem uma música suave (eficiente), e me deixa de bom humor.

A obtenção de resultados através da ênfase na percepção, do atendimento de expectativas, através de ações planejadas para satisfazer necessidades do cliente. É um conceito que tem um cunho “sensitivo”, o que significa que há comprovação, pelo cliente, dos resultados alcançados, dentro de uma margem de produtividade no uso dos recursos também é um conceito de Efetividade.

Creio que estes conceitos são bons balizadores para que um Líder possa planejar suas tarefas diárias com foco na Efetividade. 

Quando trabalhamos o conceito do Líder planejar suas ações no sentido de atender os “Quatro Pilares de Satisfação” (A satisfação do Cliente, do Colaborador, do Acionista e a sua própria auto realização como Líder), estamos falando de realizar ações com efetividade.  Isto é mais do que trabalhar com bons índices de aceitação do cliente mas sufocando a equipe ou sem oferecer retorno ao acionista. Pior ainda, sacrificando-se. 

Qualquer ação que não leve em consideração o equilíbrio e a relatividade dos resultados (efetividade), tende a ser uma ação de eficiência ou eficácia de curto prazo, isto é insustentável, pois faltará o engajamento permanente de algum pilar.  O equilíbrio nos traz a mente, a errada noção de calma e paz que são sintomas.  O equilíbrio que deve ser praticado é o da reflexão nas consequências de cada ação que tomamos. 

Ações refletem a tomada de atitudes. Decisões impulsivas ou meramente embasadas no “feeling” podem ser prejudiciais. Qualquer grupo valoriza a comunicação.  Mesmo o colaborador mais desconectado gosta de participar das ideias e principalmente fazer parte de uma equipe de sucesso.

Não retire da sua equipe o prazer da participação. Nenhuma ação é tão emergencial que não possa esperar alguns minutos de reflexão com a equipe, mesmo que você saiba as respostas.  Esta participação garante o engajamento sustentável, tema que está na pauta de dez em cada dez executivos.

No plano prático, estamos falando de comportamentos, atitudes e conhecimento (competências) que são o combustível de qualquer ação de sucesso. 

Vamos também fazer uma saudável revisão nas sete principais competências de um Líder:

1- Conheça sua equipe e sua empresa - O líder que se distancia de sua equipe e da realidade do dia a dia da organização não é realmente um líder. Líderes autênticos vivem a empresa. Não é suficiente receber relatórios sobre o desempenho. Relatórios podem trazer cenários equivocados nunca substituirão a convivência com as pessoas e os processos. 

2- Insista no realismo - A verdade deve ser sempre ser confrontada. Líderes que fogem de conflitos levam a organização a uma cultura de fracasso. Líderes autênticos encaram a realidade e motivam a equipe a superarem-se e as dificuldades. A discussão aberta dos problemas areja as mentes e irriga de criatividade um grupo maduro. Ideias desengajadas de contexto são frustrantes.  A realidade nos impõe limites, mas a criatividade amplia horizontes.

3 - Estabeleça metas e prioridades claras - A equipe deve ter uma visão transparente da direção que devem seguir. As metas e prioridades devem ser objetivas e documentadas. Somente assim haverá a união do grupo e a realização da estratégia da organização. As dúvidas devem ser esclarecidas, todas!

4- Conclua o que foi planejado - Projetos e iniciativas abandonadas pela metade tiram a motivação da equipe. Escolha corretamente os projetos que devem ser executados e leve-os adiante com seriedade e compromisso. Este compromisso se refletirá na atitude dos envolvidos. Se realmente é necessário cancelar um projeto, isto deve ser feito formalmente, registrando as lições aprendidas e ações corretivas no planejamento.

5- Recompense quem faz - Isto parece óbvio, mas muitas empresas ainda tratam
todos os colaboradores como iguais. A organização deve reconhecer as diferenças de desempenho e alimentar uma cultura baseada no crescimento pelo mérito.

6- Amplie as habilidades das pessoas pela orientação - O treinamento formal é importante, mas as suas orientações também é um fator essencial para o amadurecimento da equipe. Aplicar feedback de qualidade é uma das atividades mais importantes do líder. Fugir desta responsabilidade é dirigir a equipe para o fracasso.

7- Conheça a si Próprio - Conheça suas fortaleças e fraquezas, aprenda a ter equilíbrio emocional e trabalhe suas deficiências. Não fique cego pela posição de comando, ou tomará mais e mais decisões aparentemente certas, mas que logo a frente mostram equivocadas. Embora o erro seja parte do aprendizado natural, poucas empresas realmente valorizam-na. 

No endereço http://factor9.com.br/educacional.php temos alguns testes que podem lhe ajudar a entender melhor o seu grau de domínio sobre alguns destes pontos abordados.

E agora, você consegue classificar sua última decisão? 

Se quiser ampliar esta discussão, mande seus comentários para factor9@factor9.com.br.

Um grande e efetivo abraço!


Eduardo Varela é fundador da Factor9 (www.factor9.com.br). Como executivo com mais de 25 anos de experiência na área de gestão de operações e como diretor de serviços e relacionamento com o cliente, aplicou sua abordagem inovadora em organizações de destaque em seus segmentos como: Sistema Anglo-Latino de educação, Orion S/A, Sistema RCC Editora, Grupo Imagem, Teletech Brasil, Telefutura/TIVIT, Voxline. 

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