• Outubro de 2017
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Lições de planejamento estratégico com o aviador Gérard Moss

Por Alexandre de Abreu

Que estratégias são essas que levam a um objetivo? Se nós sabemos aonde queremos chegar então conseguimos ver oportunidades e ter uma visão abrangente da realidade que nos cerca. Infelizmente, o que percebemos como planejamento estratégico é sempre formal, programado, e dentro de regras previamente estabelecidas. Entretanto, as situações que vivenciamos em nosso dia-a-dia contradizem completamente esta estrutura rígida de planejar.

Planejamento tem que estar ligado a um grande poder de síntese, a um pensamento informal e visionário, e sua estratégia deve ser baseada na interpretação das informações, na sua intuição e no pensamento divergente. Às vezes irregular, inesperado e instintivo e baseado na capacidade de adaptação. Essa adaptação ao ambiente é que faz com que o Projeto Asas do Vento seja um exemplo de um planejamento estratégico bem sucedido.

Gérard Moss decolou do Rio de Janeiro no dia 20 de junho de 2001 para dar a volta ao mundo em um motoplanador e enfrentou a cada dia novos desafios: condições meteorológicas que exigem uma avaliação de risco, dificuldades burocráticas pedem capacidade de negociação e análise de informação. Ingredientes imprescindíveis são habilidade técnica e boa resistência física. A empreitada seguiu metodicamente para os destinos definidos, conseguindo manter contato diário via satélite com a equipe de apoio. A comunicabilidade é um eixo essencial na realização do projeto e sua divulgação. Imprevistos constantemente foram enfrentados e vencidos. Uma ambiciosa pesquisa científica de poluentes na baixa atmosfera procurou gerar um modelo matemático através do mapeamento dos dados coletados.

O planejamento estratégico do Projeto Asas do Vento consiste na avaliação do ambiente onde o desafio será realizado, na definição da sua missão, na quantificação das metas em relação ao tempo previsto, tudo convergindo para um objetivo único de alcançar sua realização.

Planejado para 100 dias, realizado em 100 dias, fazendo mais com menos e utilizando os recursos de forma eficiente. O sucesso foi resultado de um projeto extremamente bem elaborado, permitindo um trabalho em equipe na adequação à realidade de cada dia e realizando seu compromisso no tempo determinado.

Conhecendo dia a dia, cada um dos 100 dias de realização da viagem do motoplanador, podemos perceber seu alcance, dificuldades e importância na forma de uma apresentação lúdica e bem humorada, eu diria até otimista.

Pois frente ao seu relato, vamos fazer um paralelo com a nossa rotina, com a dimensão dos problemas que enfrentamos e com a forma de resolução e adequação que aplicamos. Sem dúvida uma excelente oportunidade para confrontar métodos de gestão e avaliar como a informação esta sendo disseminada no seu próprio negócio.

Alexandre de Abreu
Engenheiro, professor de Planejamento Estratégico e Auditor Ambiental.