• Outubro de 2017
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O Varejo precisa aprender a lidar com o novo consumidor

Um consumidor mais maduro, mais racional e mais consciente do seu poder como cidadão: essa é tendência mais forte do varejo brasileiro neste momento, segundo Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza. De acordo com o consultor, o varejista precisa se preparar para um novo ciclo do mercado que tem início no segundo semestre de 2017. “Agora que a fase aguda da crise já foi superada, é hora de seguir a máxima ‘Olhos no futuro, barriga no balcão’. É preciso atenção redobrada com a eficiência da operação, sem perder de vista as transformações geradas pela revolução digital.”

“A Transformação do Mercado no Novo Ciclo” é o tema do Latam Retail Show, evento anual de varejo promovido pelo Grupo GS&, que discute as principais tendências do varejo no Brasil e no mundo. O encontro, que será realizado de 29 a 31 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, terá 231 palestrantes e 160 expositores. O público esperado é de 12 mil pessoas – 8 mil usuários já estão cadastradas no site da feira. O número representa um crescimento de 30% em relação ao ano passado. Um dos destaques do evento será a loja do futuro, instalação aberta ao público que contará com equipamento de reconhecimento facial do consumidor, capaz de avaliar a sua satisfação ao entrar e sair da loja. Confira a seguir uma entrevista exclusiva com o consultor de varejo Marcos Gouvêa de Souza.

O evento tem como tema “A Transformação do Mercado no Novo Ciclo”. O que você chama de novo ciclo?
Entre 2004 e 2013, vivemos no Brasil a chamada década de ouro do varejo. Naquele período, o crescimento expressivo da massa salarial, do crédito e da confiança do consumidor fez com que houvesse uma enorme expansão do mercado varejista. Depois, entre 2014 e 2016, experimentamos um ciclo curto e abrupto, que foi a pior crise econômica já vivida pelo país. Neste momento, estamos entrando em uma outra fase. Nesse novo ciclo, temos um consumidor mais consciente de seu poder como consumidor e cidadão. Há também nessa nova fase a percepção clara de que os períodos de grande crescimento que tivemos no passado recente não se repetirão mais. A expansão do consumo foi resultado de uma combinação única de elementos do cenário internacional e local. Não há nenhuma perspectiva de que isso venha a se repetir. Da mesma maneira que a profundidade e a extensão da crise recente dificilmente virão a se repetir. Agora que a fase aguda da crise já foi superada, é hora de se preparar para enfrentar o segundo semestre.

Como o varejista pode se preparar para a segunda metade do ano?
O que eu digo a eles é que devem seguir a máxima “Olhos no futuro, barriga no balcão”. Ele não pode perder, de forma nenhuma, a visão do futuro e do longo prazo. É preciso estar atento às mudanças estruturais provocadas pela revolução digital, e perceber como elas já afetam a sua empresa. A barriga no balcão representa a figura tradicional do varejista, que valoriza a proximidade com o consumidor, a atenção aos detalhes, a preocupação com a produtividade. Essa é a combinação ideal.

Quais as principais tendências do varejo nesse novo ciclo?
A mais importante de todas é o empoderamento do consumidor. Hoje ele é mais racional e mais bem informado do que o vendedor, e totalmente consciente do seu poder, não só como consumidor, mas como cidadão. Então não basta ter um bom vendedor. É preciso ter funcionários capazes de falar com ele de igual para igual, ajudando a simplificar o processo de compra e criando uma experiência única. Outras tendências fortes são o uso de design no ponto de venda, a aplicação da tecnologia para integrar processos e a sustentabilidade, exigência das novas gerações. E, por fim, há a ativação digital no ponto de venda. A loja física tem que incorporar as facilidades do e-commerce, como o reconhecimento imediato do cliente e as ofertas de preço dinâmicas. Do ponto de vista econômico, o novo ciclo se caracteriza por uma maior concentração do mercado: teremos um número menor de players, com participações maiores. Vivemos ainda uma fase de des-intermedição, em que cada vez mais varejistas buscam alternativas para vender diretamente ao consumidor final.

Qual a sua expectativa em relação a uma possível recuperação do varejo no futuro?
No primeiro semestre de 2017, o que tivemos foi uma tênue recuperação. E vai continuar assim por um bom tempo. É preciso tirar proveito dessa leve brisa e aprender a navegar com atenção no horizonte. Neste ano, o crescimento, se houver, será de 0,5%, no máximo. Vai levar dois anos para termos um crescimento um pouco maior: prevejo 2%, mas só em 2019.