• Setembro de 2017
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Varejistas buscam alternativas para a crise

Planejamento, gestão e visão estratégica serão os pilares que sustentarão o varejo na busca por oportunidades de crescimento em meio a um cenário de restrição econômica. Pelo menos esta é a fórmula que resume as diversas receitas trocadas entre especialistas do setor, durante o Zoom - Vencendo a Crise, evento que a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA) realizou nesta quinta-feira, no Teatro CIEE, em Porto Alegre. Medidas como diagnosticar a adversidade mercadológica, para quantificar o que representa nos negócios do ramo, e assim estabelecer as ações factíveis serão fundamentais, na opinião do superintendente do Shopping Total, Eduardo Oltramari, que palestrou durante o evento. Além dele, o debate contou com as considerações do economista Marcelo Portugal, do consultor Alberto Serrentino e do vice-presidente da Panvel Farmácias, Julio Mottin Neto. Oltramari defendeu que o empresariado não abdique nem do realismo nem do otimismo. "Não se pode esperar acontecer, é preciso encantar para vender", filosofou.

Na mesma linha, o presidente da CDL-POA, Gustavo Schifino, defendeu que é em horas de turbulência e cenário econômico mais restritivo que surgem as oportunidades. "O desafio do varejo é diagnosticar a situação, trabalhando nos cortes de custos possíveis, sem descuidar das oportunidades de crescimento e do investimento em pessoas", destacou o dirigente. Segundo Schifino, o varejo da Capital passou pelo pior primeiro trimestre dos últimos sete anos. "Desde 2008, não começávamos um ano de forma tão difícil para o varejo. Aqui no Estado, o problema é um pouco mais agudo que o cenário nacional, porque na medida em que o governo atrasa o pagamento dos seus funcionários, isso acaba refletindo diretamente no comércio", lembrou.

Apesar do ambiente de instabilidade e desconforto, o dirigente da CDL-POA aposta em um segundo semestre mais positivo para o varejo gaúcho. "Estamos sendo contemplados com uma safra recorde, principalmente nos grãos de soja, arroz e milho, que são mais valorizados, devido à cotação do dólar. Isso deve gerar uma melhoria no consumo." Mesmo assim, na opinião do economista Marcelo Portugal, o momento é de cautela. "Estamos vivendo um ano ruim, e será necessário esperar o momento da virada, no qual a economia brasileira dará sinais de melhora."

O economista aponta a inflação acima de 8% como um dos fatores que contribuirão para que 2015 se mantenha com problemas econômicos, e ressaltou que a previsão é de que o desemprego aumente. Mas advertiu que o empresariado não deve se desesperar. "O que vivemos agora é tropeço, pois o pior foi evitado (disse, referindo-se à manutenção da política econômica do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff)".

Na visão de Portugal, o conservadorismo (estoques enxutos, mix de produtos equilibrado e crédito restrito) são os caminhos para o varejo "sobreviver" em 2015. Esta receita vai de encontro às dicas do vice-presidente da Panvel, Julio Mottin Neto. "O importante é lembrar que o Brasil vive de ciclos econômicos. Por isso, o recomendável é manter um passo constante", recomendou. O empresário adota na empresa a filosofia de nem aumentar o ritmo de expansão em época de bonança e euforia no varejo nem diminuir em momentos de desaquecimento das vendas.

Segundo Mottin Neto, a Panvel tem perspectiva de 15% de crescimento em 2015. Este ano, a rede de farmácias vai inaugurar 33 lojas na região Sul e uma loja em São Paulo no ano que vem. "Mesmo que estejamos inaugurando mais filiais que em 2014 (quando abrimos 26 novas lojas), estamos mantendo nosso ritmo de crescimento", destaca Neto, referindo-se ao fato de que, uma vez "maior que no ano passado", a Panvel tem capacidade para crescer mais.

Para o consultor de varejo, Alberto Serrentino, o fundamental é olhar a realidade com "frieza". "Não estamos tecnicamente em crise no varejo, onde ainda há setores indo muito bem, como o de farmácias, por exemplo, e outros sofrendo, como o de moda e eletrônicos." Serrentino indica que o empresariado olhe o cenário brasileiro a longo prazo, para planejar estratégias de crescimento, aproveitando oportunidades. "O País já viveu situações muito piores do que esta. Mas nos desacostumamos a conviver com a instabilidade", avaliou. O consultor acredita que haverá uma "nítida" separação entre empresas com solidez, estratégia a longo prazo e boa gestão - que irão crescer - e outras menos estruturadas, que tendem a perder espaço no mercado ou até mesmo sucumbir. "Somente uma boa gestão permite crescimento com eficiência e produtividade em um cenário turbulento", sentenciou.